não entendo porquê e também ninguém me explica.
Domingo, 6 de Maio de 2012
não entendo porquê e também ninguém me explica.
Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
hoje apetecia-me emigrar
hoje apetecia-me emigrar
e levar o menos possível
deixar-me cá e ir
e começar tudo de novo
o problema é que se calhar é por ser hoje
porque amanhã pode já não me apetecer
e a lógica, essa estúpida formula não funciona aqui
os sentidos empurram-me para longe e para perto
e por isso o que acontece é ficar no mesmo sitio
devia tentar ir só
para ver se é por ai
como por ai
se não sei por onde ir
para onde ir
porque é que está tudo tão identicamente parado?
tenho a impressão da perda de qualquer referencial
queda lenta dos tempos
pós-tudo
Terça-feira, 7 de Junho de 2011
Quinta-feira, 14 de Abril de 2011
Segunda-feira, 7 de Março de 2011
Sábado, 5 de Março de 2011
Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011
Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011
Amor e Morte

Pudesse eu escrever-te um poema a cores.
Todo o meu coração é a preto e branco,
bem sabes, embora recuse fazer do desespero
um brinde aos dias comuns.
O meu desencanto prescinde dos bons empregos,
atrás de secretárias a martelar teclados.
A actualidade. No sangue corre-me o tempo
do cinema mudo. Não envio arranjos de mágoas
ao domicílio, nem adorno com laços de prata
e papel celofane os sorrisos que não tenho.
Também não anelo fumos e coisas assim.
Enoja-me o gosto da ruína pousado sobre as mãos,
como se a ruína fossem natas escorrendo no pudim.
A ruína não é coisa que se traga a tiracolo.
Não é broche. É mesmo ferida interna,
das que não coagulam nem com os poemas a cores.
Desconfio que a tristeza não seja o nosso maior problema.
O mesmo não direi das casas incendiadas,
do céu baleado, da gasolina que nos enxerta os rins.
Talvez conseguíssemos uma muralha de pétalas
se nos propuséssemos espinhos. Nem sempre 1+1 são 2.
Ambos sabemos isso e muito mais.
Desenhar-te-ei um botão de rosa no umbigo,
uma corola em cada mamilo, um pé de salsa nos lábios.
Só para cheirar, amor. Só para cheirar a morte.
Henrique Manuel Bento Fialho, A Dança das Feridas, edição de autor, Colecção Insónia, 2010, p. 99.
Imagem do filme “Anticristo” de Lars von Trier
Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010
José e Pilar um filme de Miguel Gonçalves Mendes
No feriado,
Aproveitei um pouco de tempo, com alguém a quem o tempo lhe foi tirado.
Há pessoas por quem a vida não passa, não existem, sendo assim o tempo é-lhes inútil, porque simplesmente não precisam dele, e há outras, para quem o tempo não chega. Pode parecer injusto, mas o tempo quando se alarga por dentro escapa-se cronologicamente, numa directa relação contraria, mais por dentro menos fora.
O tempo acabou por ser muito mais do que o tempo do filme, foi algum tempo da vida de dois seres.
“José e Pilar”
Não acredito no amor, já o disse aqui antes, mas uma bela historia de amor comove-me até às lágrimas. Chorei, sim chorei discretamente na sala de cinema, ninguém deu pelo o meu choro, por dentro as lágrimas corriam quentes, senti-as escorregar pela garganta, com sabor a mar. O meu mar. O mar que não vejo há tanto tempo, aquele, batido e feroz, espumoso e branco, brumoso e cinzento esverdeado do Pedrogão.
“José e Pilar”
Também ri, ri com uma sonoridade fina, porque não sei rir de outra maneira. Ri com o prazer da presença, com a delícia de poder por pouco tempo entrar na vida daquelas pessoas que tanto me deram naquele momento. Não interessa se concordo ou não com o que pensam ou dizem, não interessa não mais, do que terem aberto a porta para eu entrar e viver com elas a sua vida. Gosto de viver a vida dos outros. Gosto de estar com eles de qualquer maneira. E estes outros, disseram-me coisas que me deixaram a pensar e fizeram-me sentir coisas que me deixaram a sentir.
“José e Pilar”
A doçura e ternura, encantaram-me, é bonito, lindo, quando dois seres se necessitam tanto, quando tudo parece fazer parte um do outro, quando o tempo lhes escapa escorregadio, mas penetrante. Faz sentido. E fazer sentido não é pouco, num tempo em que quase tudo parece não fazer sentido.
Talvez por ser um tempo sem sentido, existam ainda pessoas capazes de se separar do seu tempo e criarem um tempo próprio. Foi o que senti, não por se terem afastado da realidade do seu tempo, mas por terem uma enorme consciência dele e por isso não se terem deixado ir.
“José e Pilar”
Saber parar, parar o tempo, confina-lo a uma cápsula resistente de existência. E vivê-lo, sim digo vivê-lo, com toda força vital, mesmo quando se está preso por um ténue fio de vida.
Há pessoas que dão vida, outras que subtraem a vida. Isto poderá ser o mais importante nas relações entre pessoas.
Não sei explicar, nem tudo se explica, por vezes penso que pode estar relacionado com o nível de encontro, empatia. De não ser preciso, palavras, e ficar tudo contido em actos.
Pois, são nos gestos, olhares, respirares, sentires que se encontra a saída da vulgaridade dos dias. O problema é que tardam em acontecer. Em alguns casos nunca chegam. Porquê? Não sei...
Há um momento para as viragens, há um tempo para cada coisa. Apesar de não acreditar no destino.
Há um tempo para nunca acontecer.
“José e Pilar”
Um filme.
Mais do que isso.
Mais do que a vida.
É o mistério.
O mistério do tempo na vida.
Adorei. E vou recordar aquele momento até deixar de ter memória. Que também não vai ser difícil, porque me esqueço de tudo.
É cruel o fim. É cruel o esquecimento.
(desculpem os erros ortográficos ou outros... sou perita a errar.)
Sábado, 23 de Outubro de 2010
Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010
The Woman with the 5 Elephants - de Vadim Jendreyko
Voltar.
Estar a voltar.
Durante algum tempo, que já não sei precisar, debrucei-me intencionalmente para um fundo, no qual me retive na companhia de uma série de mortos/vivos entre eles, Fiódor Dostoiévski. De lá saiu um filme e uma espécie de análise.
Agora penso, como durante tanto tempo, e digo tempo, mas também palavras, pude ausentar-me do mundo dito real.
É difícil voltar. O mundo não é o mesmo - dizem-me.
Para trás fui perdendo não só o real mas também a realidade.
Quando se volta de qualquer lado, sente-se um misto de emoções, entre o saudoso desencanto e o saudoso desconhecido, parece que o chão que sempre pisamos está estranhamente diferente, quando de facto está igual.
Voltar à realidade dói, voltar aos vivos, aos ditos reais torna-se desconfortável e deslocado. Parecem mortos, repetitivos, desabitados de tempo e de palavras.
Porque é que tem ser assim? - perguntei um dia à mesa de jantar. Porque é que ninguém me avisou que era assim?
Cresci na ilusão de liberdade, que um dia não seria verdadeiramente de ninguém e que me amariam e cuidariam na mesma. Agora vejo, que a liberdade é só o nome de uma avenida linda, frondosa de árvores, loucos abandonados e livres. Hoje um deles pediu-me um cigarro, sorriu com aquele jeito de quem não está habituado a sorrir, era verdadeiramente de ninguém, o cigarro foi-lhe dado, ele seguiu como eu segui.
O filme antes marcou-me para sempre, a vivacidade vibrante numa mulher octogenária, enorme vida, cheia de palavras e de tempo. Um filme que revela um ser habitado por outros seres, mortos/vivos e vivos que já não puderam viver. Tradutora, antes, amante das palavras, dos sentidos e dos escritores russos.
Maravilhoso...
Terça-feira, 12 de Outubro de 2010
Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010
Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010
Goethe, A Paixão do jovem Werther
ser-bomba
percorrem-me as veias
deixo-me invadir
fecho os olhos
paralelamente a mim segue o rastilho
toma o meu passo no seu destino
já nada pode esquecer
Sábado, 2 de Outubro de 2010
Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010
khuda-katabatic-8-outubro

katabatic
Conheço-lhe os sons e a amizade.
Nunca fui vê-los...será desta? já não prometo nada.
http://www.myspace.com/katabatic
Terça-feira, 7 de Setembro de 2010
Está a chover! que saudades...
Fiquei tão feliz... o ar ficou repentinamente mais fresco e leve. Respirável.
Parece que o mundo ficou um pouco mais lavadinho, e a minha cabeça tonta aproveitou a leva e livrou-se de algumas "caraminholas" inúteis.
Agora plano sobre o rio cinzento e penso - que bom sentir este ventinho limpo, que me suaviza o ser.
Domingo, 5 de Setembro de 2010
Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
Terça-feira, 17 de Agosto de 2010
mão morta - Anarquista duval
Encoberto pelas sombras da noite
Alguém lhe perguntou o nome
Sou uma miragem, Dizem que semeio o caos e a destruição
Como o vento semeia as papoilas
O meu nome é... Liberdade
Vinha pela estrada fora a Liberdade
Encoberta pela noite das sombras
Sabes quem eu sou? perguntou ao candeeiro
És uma miragem E pertences ao livro dos sublinhados
provocadores
Que são os poetas
Almas sonhadoras Anarquista Duval:
Prendo-te em nome da lei?
Eu suprimo-te em nome da Liberdade!
Sublinhados provocadores, iam pela estrada fora
Carregando o livro das sombras
Da noite só restava o candeeiro
Encoberto
Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010
rumo Estremoz
Domingo, 15 de Agosto de 2010
Sexta-feira, 6 de Agosto de 2010
"Amazing Rogil"
Terça-feira, 3 de Agosto de 2010
Sarah Kane
Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
ZeroFilme#2
Queridos colaboradores do projecto ZeroFilme, tive que adiar a segunda edição do projecto por ainda não ter conseguido reunir as condições necessárias.
Espero que no final do mês de Agosto de 2010 fique tudo operacionalizado.
Estou a criar um site para facilitar a submissão dos filmes e concentrar toda a informação referente à mostra.
Até lá, tudo de bom.
Muito Obrigada
Sara Rocio
Dear participants of the Zero-Filme Project,
Unfortunately, and because I didn’t achieved the necessary conditions yet, I had to postpone the second edition of the project.
I hope that at the end of August 2010 everything will be operational.
I'm building a website to facilitate the upload of films and also to concentrate all the information regarding the show.
Until then, all good.
Thank you
Sara Rocio
Quinta-feira, 22 de Julho de 2010
Estranhas Criaturas de HMBF
Quinta-feira, 15 de Julho de 2010
Sábado, 10 de Julho de 2010
MECO
rumo
Meco
as pontas de luz
o brilho eléctrico da cidade distante
ali frente a todo o mar
as corridas de crianças
o coaxar
o vento semi-bravio
hoje, porque o verão não quer
mas deixa
fico
em Pegões da casa e uma sopa de peixe
mais nada
pois tudo e só isto
é mais do que bastante
o sorriso
o olhar
o gesto perdido
penso
tento ler
Tolstói
Rumo
Volta
A um lugar que não será mais meu
nem de ninguém
Fabril,
febril o sangue
a memória
as ruas de sempre
aquele sim
e depois
o telefone
a conversa por você
a distancia
dos sentidos
não há braços
nem sopro fininho ao ouvido
só passos arrastados
dentro dos chinelos
surdos
não meus
que são leves
e não escondem
por serem desnudos
brancos e azuis
como o mar ao contrario.
Domingo, 20 de Junho de 2010
Não-Dormir
Hoje, já não há Saramago Corpo, nem outros Homens Corpo.
Hoje, só há palavras que ficaram, livros que marcaram e conversas que se tiveram.
Mas o pior de tudo, são as palavras que nunca chegaram,
os sonhos que se quebraram ...
Então explode-se de nada.
Quando fores velha
Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou a tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.
W.B.Yeats Uma Antologia Assirio & Alvim
Sábado, 5 de Junho de 2010
Céu limpo/afinal não
Vou voltar ao trabalho/ lentamente.
O tempo urge... mais um mês... e seria maravilhoso.
Plantadores de Palavras é o nome.
Sexta-feira, 4 de Junho de 2010
"Tiananmen podia ser aqui no ano..."
Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
Talvez, Uma boa razão para ir ao Meco no dia 16 de Julho
"JAMIE LIDELL dele espera-se sempre o inesperado
O homem não está aqui para enganar ninguém. No seu álbum mais conhecido, “Multiply” (2005), cantava no tema-título “i’m so tired so tired so tired so tired of repeating myself, gotta take a trip and multiply”, dando-nos pistas sobre a sua personalidade inquieta. Por essa altura, quando o... entrevistámos, dizia-nos alegremente que “tinha tendência para uma certa esquizofrenia”, ou pelo menos para se “colocar em situações de extremos.” Nitidamente, Jamie Lidell é alguém que gosta de gestos largos. Gosta de se pôr em causa. Faz o que lhe apetece.
Já foi maníaco dos computadores em alguns discos. Mas também cantor soul, daqueles que acorda a cantar Marvin Gaye pela manhã e acaba a ser ele próprio, à noite, num palco qualquer. No novo álbum “Compass” não se percebe exactamente o que quer ser. Dizemos nós, que em algumas canções vislumbramos um Tom Waits psicadélico, noutras um Otis Redding tecnológico e noutras um Prince baladeiro como se fosse triturado pelos Grizzly Bear. É o seu disco mais disperso, não existe propriamente um centro, uma ideia nuclear, mas ele parece convicto das suas razões.
“É o meu álbum mais pessoal, tanto a nível lírico como da música”, diz, argumentando que necessitava de deslocar da cidade onde criou os anteriores álbuns – Berlim – e do grupo de cúmplices com quem regularmente colabora, em especial Mocky. É que os dois últimos álbuns (“Multiply” e “Jim”, de 2008) haviam sido criados em regime de parceria com o cantor e músico canadiano. Desta feita existe também um naipe de colaboradores de respeito. Mas o processo foi completamente diferente. O ano passado o inglês mudou-se para Nova Iorque. Uma modificação que nada teve a ver com música, embora reconheça que a cena tecno minimal, à qual a capital alemã é associada, o foi aborrecendo progressivamente (“tornou-se demasiado previsível e falta-lhe o funk”).
Hoje está mais atento ao que se passa em Brooklyn. “Nova Iorque é uma cidade incrível, mais humana, calorosa e colaborativa do que estava à espera”, afirma. O ano passado recebeu um telefonema de Beck, com quem tinha andado em digressão em 2006, perguntando-lhe se queria encetar uma colaboração com ele. “Foi um telefonema decisivo, porque não sabia o que fazer naquela altura e o que aconteceu acabou por precipitar uma série de acontecimentos”, revela. Lidell esteve em estúdio com Beck dois dias e, posteriormente, viria a participar no projecto deste denominado Record Club, que não é mais do que uma forma do músico americano reunir uma série de conhecidos em estúdio para criarem versões de um determinado álbum.
Lidell participou na feitura de versões de “Oar” de Skip Spence. Foi aí que conheceu James Gadson, lendário baterista que tocou com Marvin Gaye ou Bill Withers.
“Depois da primeira sessão com Beck, desapareci durante um mês, tinha a cabeça a latejar, tinha conhecido James Gadson, um tipo incrível, caloroso, e só pensava em fazer música” diz. Incentivado por Beck, e entusiasmado com o clima das gravações, acabaram por reunir-se todos em estúdio, na companhia da cantora Feist e de Pat Sansone dos Wilco, desta feita tendo por finalidade ajudar Lidell no seu novo álbum.
“De repente tinha aquela gente toda a trabalhar para mim, Beck a dar-me força, foi fantástico. E quando não foi possível completar algumas ideias, desenvolvemo-las mais tarde, através de email, como aconteceu com Pat Sansone ou Gonzales.” Outra ajuda importante foi a de Chris Taylor, líder dos Grizzly Bear. “Durante uma série de tempo andava obcecado com o álbum ‘Veckatimes’, tudo aquilo me parecia complexo e sofisticado”, afirma, “depois pude confrontar-me com a forma simples e despreocupada como Chris trabalha. Parece fazer pouco, mas obtém muitos resultados e foi também importante.”
Apesar das muitas colaborações, insiste em como este é o seu disco mais pessoal. Aquele em que não se esconde. A razão, diz, é uma mulher. O título de algumas canções (“Completely exposed”, “she needs me” ou “Your sweet boom”) é significativo. “Fartei-me de falar de mim, a partir de temáticas genéricas que supostamente podem interessar à maioria. Neste disco optei por me olhar ao espelho de forma diferente e gostei.”
As aventuras de Lidell iniciaram-se quando deixou a casa dos pais, em Cambridge, para iniciar um curso de ciência médica na Universidade de Bristol.
Depois de uma interrupção de seis meses, devido a doença, mudou para filosofia, em parte porque, pelo menos na sua fantasia, implicava menos horas de estudo.
O universo da música não lhe era estranho. A mãe era cantora profissional numa orquestra. Em casa ouvia Michael Jackson e Prince, mas na década de 90 gostava era de festas de música tecno. Cantar, só no chuveiro. Mas na segunda metade dos anos 90 acabou por conhecer o produtor Christian Vogel, com quem inicia os Super Collider, um projecto que lhe permitiu subir ao palco e cantar em falsete. Em simultâneo editou trabalhos a solo de electrónica abstracta em editoras como a Mille Plateaux.
Em 2000, saturado de Inglaterra, muda-se para Berlim, onde acaba por conectar-se com outros emigrantes conhecidos, como Mocky, Peaches, Taylor Savy, Gonzales ou Kevin Blechdom.
Na capital alemã reencontrou-se. Aos poucos o maníaco dos computadores foi percebendo que aquilo que lhe dava realmente prazer não era esconder-se por detrás da parafernália digital, mas sim pegar no microfone e cantar diante de audiências. “Sempre gostei de experimentar os limites da tecnologia, mas ao mesmo tempo de grandes cantores soul, da energia da voz.”
O anterior álbum, “Jim”, parece ter funcionado como a depuração máxima desse percurso. Era o disco de alguém que já não estava interessado em iludir influências clássicas da soul e do funk, mas sim de as assumir e incorporar, não para se fazer passar por outros, mas para transmitir o prazer que lhe ia na alma em ser ele próprio.
Muitos dos que cresceram habituados a vê-lo como um homem das electrónicas torceram o nariz. “Não me preocupa”, diz, “não penso nisso, até porque o espírito aventureiro original da electrónica já não é a mesma coisa.”
O novo álbum dir-se-ia uma súmula de várias fases, mistura de cerebralidade electrónica, sangue soul e fisicalidade funk, mas sempre a partir de ângulos inusitados. Se “Jim” parecia um álbum de fim de ciclo, “Compass” soa a disco em trânsito, à procura de um novo lugar. Para já, esse lugar são os palcos.
No Verão, apresenta-se ao vivo em Portugal. Será a 16 de Julho, no Meco, no Festival Super Bock Super Rock. Quem já o viu ao vivo, sozinho, sabe do que é capaz, improvisando com a tecnologia, fazendo sons percussivos com a voz, reproduzindo-os e alterando-os electronicamente em tempo real. Mas desta feita virá acompanhado por três músicos.
“É um tipo de formação que me dá outro tipo de liberdade” diz. “Dá-me espaço para me concentrar na voz e há mais cumplicidade em palco”, afirma, concluindo que “a surpresa e o inesperado são muito importantes.” Até aí já todos tínhamos chegado. "
Vitor Balanciano in
PÚBLICO (Ípsilon)
21-5-2010
Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
Paixão #6
Sábado, 15 de Maio de 2010
Há um
Há um hiato
Há um hiato, entre o por dentro e o por fora.
Intacto, inacessível, imóvel, inalterável na sua dimensão.
Existe...um hiato entre o que vivo... ou não viverei.. ou penso que vivi...
A proximidade... desampara-me...as alas...perco o sentido da zona segura no esquecimento daqueles....que se dizem...e estão sempre esquecidos...dos sentidos...de mim... do que me diz....
Ferem-me...não sabem....talvez inocentes do seu saber...ferem-me de não saber...de não sentir na sua inocência fria....e estúpida.
Inocência dos ignorantes dos sentidos e do amor...esquecem...mas eu não...esqueço aos pedaços...o resíduo fica...
Não queria...queria diferente...existentes, meigos, doces...presentes, verdadeiramente atentos...como numa noite de verão...quente e lenta...como numa valsa suave.
Um dia...o lamento não sustentará as suas magoas.... se as tiverem .....e as minhas...e tudo estará irremediavelmente perdido nos nossos escombros.
Fotos realizadas com a preciosa ajuda da minha querida Amiga Maria Miguel
Paixão #2
Cântico Negro
"Vem por aqui"-dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí.
Terça-feira, 6 de Abril de 2010
Londres #2...
Ficou a vontade de tentar mais tarde, quando os BIs não forem um empecilho, esquecidos e caducos na véspera.
Lindo!!!
Terça-feira, 30 de Março de 2010
Londres #1
Concluo que não tenho feito nada.
Ou muito pouco.
Acabo um filme.......
Levo tanto tempo para acabar.
Como se adiasse sempre o fim.
Assusta-me o fim.
Tenho um problema com o fim, adoro o fim.
Sexta-feira, 5 de Março de 2010
Quinta-feira, 4 de Março de 2010
Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010
Frescura
Diário do filme (a um pouco mais de meio) #1
Descanso.
Posso dizer, acho que posso dizer, que me surpreendi com o resultado.
Adoro fazer isto. Adoro perder-me em pensamentos flutuantes e esquecer a vida de todos os dias, aquela vida, de rotinas e trabalho, para puder pagar a liberdade, a pouca liberdade que me resta.
Entregar o meu bem querer ao acto de deixar de ser, e passar a não ser mais verdadeiramente. Estar à frente da câmara com a visão de estar por trás e ao contrario.
Obrigada a alguns, aqueles que me ajudaram, e aos outros, que acreditam em mim e nas minhas mentiras.
Descanso... mas não por muito tempo.
O tempo agora, mais do que tudo real e precário empurra-me para o fim.
Acabei a cena 3 e 4 sem os exteriores. O tempo não ajudou, o tempo do tempo. Mas não faz mal, respiro e sigo. É melhor assim.
Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
Tiago Sousa
Sábado : 22h... : Tiago Sousa : Cine-Clube : Barreiro
Foi um concerto muito belo....
Não sei se saberei verbaliza-lo em toda a sua dimensão.
O Tiago Sousa toca o mistério...
O intimismo com que os sons se aproximaram e envolveram, foi gradual e delicado. Depois, precipitaram-se para o mais fundo de cada um e operaram um suave restauro. Elevaram-se os mais belos sentimentos e gestos...Sentiu-se os corpos a distender e a metamorfose deu-se.
Com ele o Ricardo Ribeiro, o seu clarinete espalha uma vibração inquieta e calma ao mesmo tempo, e o violoncelo de Joana Guedes, cola meticulosamente, na sombra dos seus gestos que se espalharam no tecto da sala, todos os sons.
Para a próxima quero filma-los.


























